Arquivos Mensais: Março 2007

Projeto GNUQuando falo de software livre, gosto de enfatizar a questão da liberdade. Software livre não é software gratuito, nem é feito para apenas se economizar dinheiro com licenças ou para ser utilizado em servidores. Além de estar disponível gratuitamente na Internet, de possibilitar que as pessoas e os governos não mais sustentem empresas que lucram com o aprisionamento do conhecimento e de ter conseguido o mérito de estar presente em mais de 70% dos servidores web do mundo, o software livre se caracteriza por quatro liberdades.

A liberdade de se utilizar o programa para qualquer fim. A liberdade de copiar o programa e distribuir cópias para outras pessoas. A liberdade de modificar o programa, para isso é necessário que o código fonte seja disponibilizado. A liberdade de redistribuir as modificações feitas no programa, desde que essas quatro liberdades sejam mantidas.

O fato de ser desenvolvido em comunidade e de o conhecimento ser compartilhado, faz com que os softwares avancem de forma rápida, pois o trabalho de um(a) desenvolvedor(a) começa no ponto em que o/a outro/a parou e, dessa forma, a roda não precisa ser reinventada a cada vez que se faz um software.

Sendo assim, o software livre e sua ideologia tem chegado às mais distintas áreas do conhecimento humano. Hoje temos softwares livres para educação, astronomia, escritório, comércio, Internet e muitas outras áreas. Na área de multimídia, além de softwares livres para produção gráfica e gravação, edição e produção de áudio e vídeo, vemos a eclosão de um movimento de Cultura Livre.

O termo Cultura Livre se refere a músicas, vídeos, filmes, textos, fotografias e demais bens culturais licenciados de forma que permitam a cópia, a difusão e a utilização na criação de outras obras. Atualmente, já temos inúmeros sites voltados para a distribuição de músicas e vídeos livres que poderão, entre outras possibilidades, ser sampleados e utilizados na criação de outras músicas e outros vídeos.

São muito também os softwares livres disponíveis para trabalho multimídia e o desenvolvimento destes tem sido acelerado. Softwares como Gimp, Inkscape, Kino, Cinelerra, Audacity, Ardour e Jack, entre outros, possibilitam a criação de conteúdo de alta qualidade técnica em áudio, vídeo e gráfico.

Elephats dreamPara animação, o principal destaque é o Blender, um software voltado para modelagem e animação 3D e criação de games, que se encontra num estágio de desenvolvimento bastante avançado. Em maio de 2006 foi lançada a animação “Elephants Dream”, fruto do Orange Open Movie Project, um projeto concebido pela Blender Foundation e pelo Netherlands Media Art Institute com o intuito de ajudar a desenvolver as capacidades do Blender. O Orange Open Movie Project disponibiliza o download no site http://orange.blender.org não apenas da animação finalizada, como do making of, de todos os sons utilizados e dos arquivos de projeto da animação, compartilhando, dessa forma, não apenas o produto, mas todo o conhecimento produzido pelo projeto.

Já na parte de animação 2D, os softwares ainda não se encontram tão bem desenvolvidos. No caso de animação stopmotion ou cujos movimentos não precisam ser produzidos pelo computador, os softwares Stopmotion, Gimp e Cinelerra cumprem bem a função.

O Gimp permite animar uma seqüência de imagens e exportar como GIF. Já o Stopmotion, como o nome já diz, é voltado para stopmotion. Sua interface é bem simples e permite exportação em alguns formatos de vídeo. O Cinelerra, por sua vez, até possibilita criação de movimento, mas por não ter sido planejado exclusivamente para isso, torna o trabalho de animação um pouco cansativo.

Temos também o Jahshaka, um software para pós-produção de vídeo que traz recursos de animação. O Jahshaka apesar de ainda estar nas primeiras versões, possibilita a animação através da utilização de camadas sobrepostas e do uso de keyframes de zoom, de rotação e de deslocamento vertical e horizontal.

No entanto, a maior falta que sentimos é de uma alternativa consistente ao flash. Os projetos existentes, como QFlash, UIRA e F4L, ainda estão no início e precisam de mais desenvolvedores/as. Existe um outro software chamado KToon, cujo foco é o trabalho com desenho animado e que, apesar de também estar em estágio inicial, já permite exportação no formato SWF, porém sem interação.

Software livre é sinônimo de conhecimento livre e acessível à toda humanidade. O desenvolvimento de softwares livres para animação – e também de tutoriais – é requisito fundamental para a apropriação dessa arte por mais pessoas e para o surgimento de pólos de produção de animação nos países mais pobres.

Hoje fui olhar as estatísticas de acesso do blog e vi que grande parte dos visitantes acessavam o blog a partir de um link nessa página: http://remixtures.com/2006/10/liberte-a-sua-musica/

Nesse link tem um post sobre uma entrevista minha sobre cultura livre e publicação de músicas sobre licenças livres. Essa entrevista foi feita ano passado, na casa do Ronaldo Eli. Eu, o Ronaldo e o Levy (vocalista da banda Reação, uma banda de reggae de Sergipe) estávamos experimentando fazer um podcast, aí resolvemos gravar alguma coisa pra editar no Audacity e publicar na internet.

É bom ver o potencial da internet ser aproveitado para divulgar idéias e nossa própria mídia. Blogs linkando outros blogs linkando galerias de fotos, podcasts, links… e assim a gente vai criando nossas redes e divulgando nosso conteúdo. Isso é o que eu vejo de melhor na internet. Pra terminar deixo o link de um texto do fundador da Eletronic Frontier Foundation, uma organização que defende “a liberdade no mundo digital”.

Declaração de Independência no Ciberespaço

Já estávamos há cinco dias no assentamento do MST no Quissamã, um povoado perto de Aracaju. No último dia, resolvemos ir num boteco do assentamento antes do almoço. Entre algumas partidas de sinuca, cervejas e refrigerantes, conhecemos o dono do bar, o Seu Paraíba. Ele falou que ficou sabendo que a gente tava trabalhando com áudio e vídeo e começou a cantar as músicas dele. Cantou mais de dez músicas. Daí surgiu a idéia de gravar as músicas dele. Convidamos ele a aparecer no local do assentamento onde tava acontecendo a oficina.

Esperamos até três horas da tarde, como ele não apareceu, resolvemos colocar o computador em um carrinho de mão e ir até o bar dele para gravar as músicas. Também filmamos o Seu Paraíba cantando e a surpresa dele ao ouvir o cd com suas músicas pela primeira vez.

O vídeo foi produzido em outubro de 2006. Eu fiz a câmera e as entrevistas e a edição foi feita por várias pessoas durante o festival submidialogia #2, em Olinda/PE.

gif seo paraiba

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